Não foi a primeira, nem a segunda, não foi tampouco a terceira ou a quarta de quem eu tinha conhecimento.
Ele me falou alumas vezes dela.. "É boa moça"; "trabalhadora"; "trabalha a noite na central"; "nunca tira a camisa para transar".
"A gente leva tudo isso.. tudo pode mudar. Muda pelo amor."
Ela veio do Nordeste, sei lá de onde. Veio fugindo de sei lá o que. Deixou dois filhos para trás.
Eles se conheceram num pátio onde se alugam kitnetes.
Se via sempre um a tira colo do outro, os dois trocando de mãos um cigarro de maconha e os sonhos foram ficando pequenos demais para caber num kitnete.
Chorou para um, chorou para outro.. passou a perna na própria mãe. Conseguiu de uma tacada só um lugar para morar e trazer a filha mais nova da mulher.
Mas também começou a enganar.. o que era combinado passou a ser descumprido.
Os cigarros eram divididos, mas ele escondia as capsulas e não deixava nenhum vestígio de pó. O que os olhos não vêem o coração não sente, não é mesmo?
Ela não poderia saber e nunca saberia se isso não o mudasse. Sempre o mudava. E a todos.
Discussões, ciúmes... brigas e mais brigas enquanto, despretensiosamente, conquistavam uma nova vitória; trouxeram do Nordeste o filho mais velho, o que faltava. A filha já tão apegada, família completa, ele queria que o menino o chamasse de pai.
Mas a cocaína não.
E em um acesso de raiva quebrou a casa toda, espancou as crianças, abriu o rosto da mulher com um soco e jogou todos na rua a própria sorte.
Vence a mentira;
Vence mais uma vez o ódio.
Não foi a primeira, tampouco será a última.
Ele fez uma escolha.
Só quem o atura é a droga e ela fará de tudo para ser a única para ele.
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