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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Sentença

O meu castigo sobre esta terra é sempre ser vista como ruim, ainda que tenha abandonado os maus hábitos.
Isso é o que ganha quem tenta mostrar para o outro a falha dele.
Todo mundo odeia ser apontado..é um inferno se sentir julgado, ainda que não exista réu, julgamento ou juiz.

A culpa é um sentimento maldito e manipulador.
Ela faz você acreditar que as coisas giram contra você mesmo, quando na verdade, você mesmo vai se rondando e se sabotando, e o faz de uma forma tão perfeita que se recusa a acreditar que foi você mesmo quem o fez. E culpa o outro. E na maior parte das vezes o outro é o que estiver mais próximo. O que estiver mais envolvido. O que estiver mais inclinado para esticar o braço e te salvar.  
"Empatia para quê?", você pensa.

Quem não sente também não pode compreender.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Espelho


As vezes reflito dentro desta tristeza. Pergunto-me quanto dela ganhei e o quanto criei para mim.
O brilho fosco dos meus olhos não me responde nada nessas horas, e minha sanidade é grosseiramente drenada por estas auto-criticas que aos meu ver são tão inexoráveis.
Uma convicção febril. Insuficiência generalizada... Pode fazer mil coisas, mas nenhuma é suficiente ou, muito menos, perfeita.

Já experimentou escrever tantas vezes uma palavra que esta perdesse o sentido?
Eu olho julgando tanto tudo o que eu faço que tudo parece-me feio e mal feito.
E o ódio que eu sinto por aquilo que fiz converte-se em ódio por eu mesma.
Posso destruir o que crio, mas aquele ódio denso está ali quando me olho no espelho. E lembro de quando quase fui boa, quase fui única, quase acertei.
Lembro das pontes queimadas, dos barcos desfeitos, dos textos rasgados, dos desenhos riscados, das fotos apagadas, dos projetos abandonados e vai...

Essa face, tão detalhadamente pintada, refletida no espelho sorri.
Fico imaginando como o espelho não quebra à refletir tamanha mentira.      

sexta-feira, 12 de julho de 2013

E se você pudesse voltar?

... Não, eu não quero voltar. Não.
Voltar neste caso é uma palavra que me causa aflição e vontade de correr para bem longe, no sentido total oposto do voltar.
Eu não deixei nada importante no meu passado.. E me felicitam as memórias que se embaralham confundindo o real e o faz de conta em mim.

É que feliz assim é bem difícil acreditar que no passado se chorou tanto, esmurrou tanto a ponta da faca e se insistiu naquele jogo de roleta russa as avessas onde no tambor do revolver espaço vago só havia um.
Rufem os tambores, pois quando apertei estava vazio. E era vazio mesmo... eu não sei onde vi o contrário. 
Por isso o passado não apetece, não envaidece, não entristece...
Era só um monte de estorinhas cantadas para convencer, entorpecer, extorquir, usurpar...

O ser humano é ruim  
Mas isso não me importa mais tanto assim


Eu nunca hei de participar disso.
Nem voltar para aquilo.

Meu caminho é só
de ida
e eu escolhi
fazer bem a mim
me respeitar
amar a quem me ama
cuidar de quem merece
respeitar
a quem merece respeito de perto
e
respeitar a distância de quem não merece respeito algum.




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Fiz este post em um outro blog meu, que é mais pessoal.. mas, acabei me envolvendo com o que escrevi. E gostei.. assim, resolvi compartilhar. Tomara que eu possa tocá-los com essas letras.