sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Espelho


As vezes reflito dentro desta tristeza. Pergunto-me quanto dela ganhei e o quanto criei para mim.
O brilho fosco dos meus olhos não me responde nada nessas horas, e minha sanidade é grosseiramente drenada por estas auto-criticas que aos meu ver são tão inexoráveis.
Uma convicção febril. Insuficiência generalizada... Pode fazer mil coisas, mas nenhuma é suficiente ou, muito menos, perfeita.

Já experimentou escrever tantas vezes uma palavra que esta perdesse o sentido?
Eu olho julgando tanto tudo o que eu faço que tudo parece-me feio e mal feito.
E o ódio que eu sinto por aquilo que fiz converte-se em ódio por eu mesma.
Posso destruir o que crio, mas aquele ódio denso está ali quando me olho no espelho. E lembro de quando quase fui boa, quase fui única, quase acertei.
Lembro das pontes queimadas, dos barcos desfeitos, dos textos rasgados, dos desenhos riscados, das fotos apagadas, dos projetos abandonados e vai...

Essa face, tão detalhadamente pintada, refletida no espelho sorri.
Fico imaginando como o espelho não quebra à refletir tamanha mentira.      

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