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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Espelho


As vezes reflito dentro desta tristeza. Pergunto-me quanto dela ganhei e o quanto criei para mim.
O brilho fosco dos meus olhos não me responde nada nessas horas, e minha sanidade é grosseiramente drenada por estas auto-criticas que aos meu ver são tão inexoráveis.
Uma convicção febril. Insuficiência generalizada... Pode fazer mil coisas, mas nenhuma é suficiente ou, muito menos, perfeita.

Já experimentou escrever tantas vezes uma palavra que esta perdesse o sentido?
Eu olho julgando tanto tudo o que eu faço que tudo parece-me feio e mal feito.
E o ódio que eu sinto por aquilo que fiz converte-se em ódio por eu mesma.
Posso destruir o que crio, mas aquele ódio denso está ali quando me olho no espelho. E lembro de quando quase fui boa, quase fui única, quase acertei.
Lembro das pontes queimadas, dos barcos desfeitos, dos textos rasgados, dos desenhos riscados, das fotos apagadas, dos projetos abandonados e vai...

Essa face, tão detalhadamente pintada, refletida no espelho sorri.
Fico imaginando como o espelho não quebra à refletir tamanha mentira.      

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Me sirva um chá, Jonestown

Tomava de golinho em golinho a tristeza, apatia e uma amarga consternação cruel de ser incapaz de mudar os fatos.
Não era sempre, mas não tinha autonomia de si.
Um turbilhão em sua cabeça;
Decepções, frustrações, taxações, humilhação, impotência, embolo na garganta.
Um grito já velho nascendo. Prestes a morrer.

Queria apenas encontrar a paz;
Os ferros da janela impediram-a de voar.

sábado, 15 de junho de 2013

Ego

Não foram as horas que eu perdi,
Os sorrisos que ganhei
Os que não ganhei
As lágrimas que eu causei
Não foi a dor que eu senti,
A que causei sempre doeu muito mais.
Não foram as decepções
O amargor
Não foi o amor
Não foi a falta de sossego
Nenhum caos
Ainda que todo
Não foram as gotas, pontos ou contos.

Foi a empatia que senti
E a que não fui capaz
Os sentimentos que, sem querer, esmaeceram de mim
Foram as coisas que não queria esquecer
Mas sem poder prevenir, esqueci
Essas me fizeram mudar
E moldar o que quero ser
Pois o que sou é fluído e livre
Para bem ser
O que bem se quiser
E fizer.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Tempos de crises


Invento um novo precipício para me atirar.
Crio uma nova verdade indiscutível para me atingir.
E tentando me proteger me ataco com tanta força.
Me ponho em lugares que eu odeio estar, faço coisas que eu detesto sem saber o porquê.
Quase não posso me controlar.
Troco e destroco mil vezes a minha mente de lugar. 
Um desatino que entorpece o meu viver.
Buscando certa paz eu encontrei uma  chaga patológica.
Uma paranoia auto-destrutiva.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Antes a borda, que escrevo nessas linhas.

Da leveza de um sorriso, eu tirei a experiencia de sentir-me integrado à alguma coisa, e que seja qualquer coisa. Quando não nos encaixamos em nada, qualquer coisa pode ser a resposta.
Em poucos tempo, eu já não pertenço a mais nada.
Não sou mais ninguém.
Eu não me entendo, não me sustento, eu não me aguento.
De um hemisfério à outro de mim, tamanha discrepância.
Momentos em que sou ou deixo de ser o que costumava parecer.
Um súbito desespero, que levo comigo por onde quer que eu vá, me pergunta o que posso vir a me tornar; e no meu intimo eu não sei responder, isso engolfa a pouca esperança que me permito ter.
Essa ausência de respostas me toma de medo. E o que posso fazer é insistir em zelar por mim para não me perder.
Luto contra mim vigorosamente, sempre tentando me derrotar.
O defeito está em toda vez que saio vitorioso, sou obrigado a mais uma vez me ver derrotado.

(Imagem: diegoidef )