Não sei dizer se já é tarde, e não importaria tanto em todo caso. Nem telefone, nem campainha irão tocar. É normal. Só mais uma quinta-feira. Sóbria. Todos os postes acesos. As prostitutas em suas esquinas. Alambiques cheios. Meu copo de novo vazio. Me distraí e não vi uma enorme bituca de cigarro caindo numa poça de vinho barato. Puta sujeira. Mas percebi a dor quando o que sobrava do cigarro aceso queimou-me entre os dedos. Não faz diferença. A vida já me mostrou tanta coisa. A maioria eu não gostei. Habitual. Assim como amar profundamente uma mulher e dormir na cama de tantas outras. A essas coisas acostuma-se. E nesse ponto, se cortam a luz ou se o telefone não toca, um ou outro, não assustam nem um pouco. Ela não ligou nos últimos quatro meses. Não deve ligar no Natal e, possivelmente não ligue nunca mais, e eu, estou vivendo.
*--* my dear, meu momento .
ResponderExcluir