Perdeu um dia chorando.
Outros quatrocentos e nove se iludindo.
O presente é nada mais do que o passado nascendo.
E o futuro, um desejo indecente.
A vida segue assim.
Toma-se um gole de aceitação social, outro de realização ideológica, mais um de consolo religioso e uma bela tagalada de amor familiar ao nascer.
Assim pode seguir-se de forma conveniente.
Mas, se você engasga já ao nascer e aquela tagalada vai para o canto errado, você broncoaspira.
Te dizem: "Calma! Todo mundo já nasce morrendo..."
Mas sem este primeiro gole, você é natimorto.
Anda por esta terra incapaz de assimilar deglutição. A cada gole se engasga e falha até pra engolir seu veneno.
Não vive, nem morre.
Talvez escreva um tanto sobre suas desventuras.
Talvez apenas se entorpeça ao léu.
Ou ainda passe apenas o tempo pensando em uma ou outra possibilidade, letárgico numa cama... a sua, de outrem, num motel de quinta, com chatos e cheiro de corrimento. Não importa.
Não toca nem é tocado.
Espera sendo esquecido.
Lança uma prece no céu.
"Girem os ponteiros, corram as horas, desatem os laços que me atam a vida"
Todo tormento passa.
Acredita.
Mas toda história tem o fim sempre muito igual.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Untitled 03
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