Vendeu tanto o próprio corpo que seu gosto e estrutura mudaram
Eram incríveis seus dons;
Movia-se certeiramente.
Certa vez me disse que não foi sempre assim.
Que vestiu um vestido de noiva e que sonhou.
Mas de tão antigo o sonho, não recobrava se era de seu corpo ou sua alma.
Nunca se casou e aquele vestido também nunca fora seu.
Viveu, por assim dizer.
Seguramente um desastre.
Não se poupou da vida nenhuma segregação.
De vícios baratos à sadomasoquismo.
Auto degradação.
Mas como tudo na vida passa,
Certas coisas também passaram por ela.
Perguntei-a uma vez porque não havia se permitido o sonho distante.
Ela me sorriu com um pesar que parecia rasgar-lhe o semblante.
Disse-me que secretamente abandonou o seu coração
Com o único homem que amou e que, a partir deste ponto
Todo o sonho se desfez e não mais a tocou o amor.
Partiu pela vida portando apenas as cicatrizes, as dores físicas
E o olhar vazio de quem vive sem um sonho.
Não pude salvá-la.
Magoa-me a lembrança, mas não me permito que a esqueça.
Ela escarneia o amor que a devotaram
Dizendo que era fácil a amar
E ainda mais fácil esquecê-la.
Que estupida!
Portanto,
Preferi nunca dizer que a amava.
Mas pensei e penso nela a cada segundo dessa não-vida.
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